errar nos muito sentidos de miguel esteves cardoso - alilderson cardoso

Errar nos muitos sentidos é se equivocar nos muitos significados. Também, os muitos significados de se equivocar representam a ida para muitas direções, o que nos leva à etimologia do discurso trazida por Barthes: dis – cursus: ir para todos lados.

Meu discurso é sobre um discurso de um outro ou ainda o dis-cursus de um [...]

três poemas - serge pey

Nous cherchons
la pierre à lire
qui défait le rosier
d’épine à pétale
Nous avons trouvé cette pierre
nous en avons rempli notre coeur
puis nous l’avons bu dans son vase
Maintenant nous reconstruisons un rosier
qui récite la femme
qui nous aime
en boitant dans l’avenir
La lune lourde qu’elle tient dans ses bras
n’est pas son enfant ni son chien
mais une lampe de chair
mais une [...]

esquisito - sebastião edson macedo

eu tinha que fazer hora em manaus e resolvi ligar. eu sabia que era vacilo fazer. e não insisti de primeira. mas vacilo mesmo foi inventar nome e mostrar documentos burocratamente reluzentes pra locadora que me ofereceu a preço de feira uma linha de celular e uma acompanhante. foi constrangedor gaguejar em português e ainda [...]

a chuva - maria clara

A menina dos olhos mortos não queria sair de casa. Nos dias de sol, os olhos que não brilhavam ardiam de dor. Nos dias de chuva, a pele sem cores reclamava frio.

Os meninos jogavam pedras na sua janela para ver a menina invisível. Pelo vidro embaçado, só percebiam dois abismos em forma de olhos.

Do lado [...]

brás cubas, seus amores, quinze meses e onze contos de réis - wander lourenço

“Também se goza por influição dos lábios que narram”
(Machado de Assis, Dom o.)

Nas memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, salienta-se que a genealogia da prostituta Marcela, assim como a do herói-narrador, ora desmente-se; ora sustenta-se, por uma espécie de revelação sorrateira ou confissão sob cortinas, através das quais ambos, o memorialista [...]

poemas - maurício chamarelli

Cantiga para ninar papagaios
                     Para Luís Augusto
Sempre que falo, falo do que sou
Não porque seja, mas, sim, porque fale.

Por exemplo o beco cinza
Quando passo o beco cinza,
Quando volto os olhos pelos passos dados dentro do beco cinza,
Quando penso que volto os olhos pra reconstituir os passos que transpuseram o beco cinza,
As ruas mudam de lugar,
e os [...]

erasmo, o alienista - fernando miranda

“Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.”
Fernando Pessoa

As palavras acima, do poeta português, bem [...]