brás cubas, seus amores, quinze meses e onze contos de réis - wander lourenço
“Também se goza por influição dos lábios que narram”
(Machado de Assis, Dom o.)
Nas memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, salienta-se que a genealogia da prostituta Marcela, assim como a do herói-narrador, ora desmente-se; ora sustenta-se, por uma espécie de revelação sorrateira ou confissão sob cortinas, através das quais ambos, o memorialista e a meretriz encobrem suas origens humildes. O Brás Cubas, bisneto de tanoeiro, abafa a sua procedência quase bíblica para gozar, através da imaginação paterna, de um sobrenome respeitável, inspirado num herói antepassado que, em África, arrebatara trezentas cubas aos mouros. Já Marcela e a opinião pública aceita amparam-se numa outra fictícia e também paterna origem, só que desta vez européia, erudita e espingardeada, para refugiar-se de um passado hortelão e sumariamente agrícola.
Destarte, por sobre a verdadeira origem ou trajetória das personagens há de haver uma ocultação maliciosamente arranjada, capítulo a capítulo, a fim de que o surpreendente e o insuspeito se estabeleçam, se acomodem, se deflagrem; e, enfim, se contradigam, na imaginação do leitor. Acrescida a esta constatação, Lúcia Miguel Pereira assevera que há em sua literatura, a par da filosofia amarga, um sopro de vida, um latejar de dor que hão de sempre achar eco no coração humano, o que de fato dialogaria com as próprias palavras de um aprofundado Brás Cubas, assomadas à sua trajetória de solteirão ocioso, vadio e vazio, a respeito das quais enfatiza que em suas reminiscências só entra a substância da vida. Por este viés, Brás conta-nos a perspicaz e cínica reação de sua amada e não menos ambiciosa e avara Marcela, ao ser presenteada por um mais embasbacado do que lisonjeado amante. O narrador-trapezista salienta que para sustentar a paixão (ou ligação?) pela primeira comoção de sua juventude, fora-lhe preciso coligir, multiplicar e inventar dinheiros e artimanhas; quer explorando as larguezas paternas; quer induzindo sua cautelosa mãe a desviar às escondidas o que lhe fosse impossível. Até que o insaciável peralta, ou ‘gatuno’ conforme o desclassificaria o Cubas pai, não se dando por contente se dispõe a lançar mão da herança paterna, assinando obrigações, títulos de dívidas e papagaios, que jurava um dia resgatar com mesquinhez ou usura. Todos esses malabarismos financeiros de nosso peralvilho herói provinham de uma profícua necessidade de afagos e agrados materiais, sedas ou jóias, de sua linda Marcela, sempre encoberta por protestos, dissimulações e falsas zangas.
Isto porque, a narração a todo instante nos proporá a desvinculação da meretriz espanhola de quaisquer resquícios de moralidade ou ressentimentos, não lhe permitindo a valorização de suas atitudes e comportamentos sociais, pautados por ocasião de sua insubordinada relação amorosa. Desta feita, por detrás das reticências provenientes dos discursos de Marcela ou Brás Cubas se desvencilhariam, sob forma de mofa ou de uns escárnios desabridos, abrindo espaço para uma refinada e mordaz ironia, ainda mais sarcástica por se restringir a uma exatidão temporal e numérica exposta pela narrativa machadiana: “…Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos” (ASSIS, 1997, p.44). Em Um mestre na periferia do capitalismo, Roberto Schwarz salienta que Machado de Assis, além de situar a narrativa das Memórias…, de acordo com as ocorrências e fatos históricos da vida de nosso país, também irá recorrer às referências literárias que antecederam os emblemáticos relatos de nosso venturoso herói-narrador.
A jovem prostituta Marcela é deveras avara e especialista em morrer… Ou seja, em sobreviver às custas de seus amores juvenis, provenientes do perdulário Brás Cubas, ou da pérola tísica do Xavier. Conquanto conste e haja um alferes, o Duarte, entre os “seus amores de antanho”, a meretriz espanhola se relacionaria indubitavelmente com rapazes abastados, ou tísicos, sendo, consoante Brás, por demais amiga destes e de seu dinheiro. A relação ou ligação com Marcela, e mesmo coma a adúltera esposa de Lobo Neves, Virgília, de fato surgiria como mais um dos deslizes ou fraquezas do memorialista a impulsionar a saga errônea e magistral do livro e do esboço de bacharel, de vez que, por ocasião dos desvarios e paixão de nosso peralta ou gatuno herói, o relato possibilitaria a sua ida para Coimbra, impelindo a narração à mercê e sorte do insidioso magistrado Cubas e o seu posterior projeto político-matrimonial. E mesmo que adiante fracassem o advogado, o político, o inventor ou o esposo, ainda assim Brás Cubas não se desvencilharia de seu principal intento ou empreitada: a feitura de suas Memórias… Conquanto, ai triste! só após a sua morte
Por esta razão, observa-se que não só a narrativa, ou melhor, o memorialista Brás Cubas se deixa flagrar em contradições ou sutis deslizes discursivos, cujas conseqüências decorrem para afetar a sua desonestidade e desfaçatez; ora diante de uma situação de desespero ou calúnia, ludibriando a complacência paterna; ora impassível perante uma ocasião da narrativa, subestimando a paciência do leitor. Também os outros personagens de suas Memórias se contradizem ou furtam, por motivos de sobrevivência ou, vide Quincas Borba, um misto de loucura e fome. Marcela, conquanto jamais furte, a todo instante se desdobra em hipocrisias e elocuções, a fim de sensibilizar o nosso Brás a um indulto ou prenda para si. No entanto, quando o narrador sofre com algum logro ou perjúrio, tal qual o abraço de Quincas Borba e o conseqüente sumiço do relógio, a impressão que nos assalta vem a ser a de um vácuo implícito entre a narrativa e a nossa consciência de leitor. Esta interrupção narrativa nos induz ao risível ou à comicidade, sem espalhafato, filosófica ou cáustica, conforme o episódio do crucifixo entre os seios da meretriz. Episódio que nos impele além da constatação de que Marcela se desmascararia diante da insignificante ocultação de uma verdade, uma vez que já confessara anteriormente ao Brás que a cruz fora uma lembrança paterna. A impressão que de fato nos assola, ou assalta, é a de que Brás Cubas se posiciona sempre em desvantagem com o seu próximo e com a vida, mesmo (ou, sobretudo) quando escarnece, zomba, desfaz, esbanja, se amesquinha, trai, espezinha, ludibria, logra ou se contradiz.
Ao que parece, esta frase derradeira de seu pai soaria eternamente como uma espécie de fio condutor, que demarcaria a trajetória de nosso herói. Brás Cubas ajuizada e resignadamente embarca, estudante, para a Europa, não sem, entretanto, confabular… Ou propor àquela que arruinara a sua reputação, que romanticamente o acompanhasse na travessia do Atlântico: “(…) e nada opus à ordem da viagem, como de outras vezes fizera; ruminava a idéia de levar Marcela comigo” (ASSIS, 1997, p.44). Ao expor-lhe a sua crise familiar e a proposta de embarcar em sua companhia para Europa, o memorialista não se conforma com a negativa nem muito menos com a alegação de sua linda cortesã, de não poder ir “respirar aqueles ares”, enquanto ainda lembrar-se de seu pobre pai morto por Napoleão. Após a irônica indagação de seu amante referente a qual deles: o hortelão ou o advogado, a espanhola ignora a ambigüidade de sua procedência genealógica, cantarola uma seguidilha, queixa-se do calor e “polidamente” manda vir um copo de aluá numa salva de prata, que, como bem observa Brás, fazia parte dos seus onze contos.
Bandeja e projetos aos ares! Brás Cubas, enfurecido, derrama-lhe todo o desespero de seu coração, atirando-lhe na face, além de todos os nomes feios cabíveis, a acusação de deixar-lhe “descer a tudo”, sem preocupar-se ao menos com a “desculpa da sinceridade” Desatinado e mastigando o seu desespero, sai enjeitado a vaguear pelos mais excêntricos e desertos bairros cariocas a gastar “duas horas mortais”, até que lhe surgisse, tal qual a do emplastro anti-hipocondríaco Brás Cubas (capítulo II), uma daquelas idéias fixas ou salvadoras, que vez ou outra pseudo-genialmente dependuravam-se no trapézio cerebral de seus pecados e imaginação. A idéia seria nada menos que “fasciná-la, deslumbrá-la, arrastá-la” por via de meios mais concretos que a súplica e a força: jóias! E, ao recorrer a um derradeiro agiota, Brás atira-se empolgado pela rua dos Ourives disposto a investir o ainda fresco empréstimo na compra da “melhor jóia da cidade” (ASSIS, 1997, p.45). E então… resta-lhe correr à casa de Marcela.
Ao chegar, depara-se com uma “reclinada” e sonolenta Marcela, com os cabelos soltos, olhar quieto e os pés calçados de meia de seda. Às mãos trazia Brás três grandes diamantes, embutidos num pente de marfim: “– Vem comigo, disse eu, arranjei recursos… temos muito dinheiro, terás tudo o que quiseres… Olha, toma” (ASSIS, 1997, p.46). A cortesã levemente sobressaltada chama-lhe de “doido”, puxa-o para si, exclama um “ora você” e paga-lhe o sacrifício com o mais ardente de todos os beijos. E, diante de um insistente Brás, a Marcela “dos primeiros dias” responde-lhe com um “vou” e outro “quando embarcas?” Brás Cubas, envaidecido e feliz, desce a escada da casa dos Cajueiros, enquanto a sua formosa cortesã ia guardar a jóia, rendendo-se, por conseguinte, às evidências de que somente os diamantes e não um outro fato qualquer corromper-lhe-iam a felicidade.
E esta mesma ambição que desmontara Marcela, deixando-a, consoante Brás, com as calcinhas da primeira idade, respectivamente o levaria antes a Lisboa, depois a Coimbra, e mediocremente ao bacharelato, ao posterior “desejo de acotovelar os outros” e “de influir, de gozar, de viver” (ASSIS, 1997, p.51), ao beijo na “por que bonita se coxa Eugênia”, a uma cátedra legislativa, ao coração de Virgília e… às bexigas da espanhola! Ao voltar para o Rio de Janeiro por ocasião da morte de sua mãe, Brás Cubas se instalaria com alguns livros, espingarda, roupas, charutos e o moleque Prudêncio numa chácara na Tijuca, contrariando a vontade de seu pai e familiares. Ocorre que, a duzentos passos de sua propriedade, situava-se uma casa roxa e de inconcebível coloração, a não ser nos arriscássemos a uma pobre e pernóstica rima, com a condição de uma tal moça Eugênia, que lá residia ou veraneava. Alertado pelo escravo Prudêncio sobre o fato de que Dona Eusébia, fora quem vestira o corpo de sua defunta mãe, o memorialista sente-se na obrigação de uma visita, de modo que pagasse o derradeiro obséquio fúnebre.
Quando prestes a sair à casa de Dona Eusébia, chega-lhe o pai Cubas com dois prósperos projetos nas mangas de sua engomada casimira: o primeiro propunha-lhe noivado e casamento com Virgília; e o segundo um lugar na Assembléia. O recém formado bacharel hesita, argumenta que não entende de política e preferia viver como um urso, e, como tal, se casaria, sim, mas… traga-me a Ursa Maior! O pai sorrira, mas decidido pelo lugar de deputado e pela noiva para o recluso palrador póstumo, tornou a falar sério a respeito das vinte e tantas razões de uma carreira política e dos fascínios de uma noiva. Até que, displicentemente, Brás, dividido entre a fragilidade das afeições de uma família e uma posição política de braços com uma esposa formosa, rabisca um verso da Eneida e o nome de seu autor, Virgílio… Virgílio… Virgília!!! “Eis o nome de sua noiva, meu rapaz!” – exclama eufórico o pai.
De fato também Brás Cubas não alcançaria o altar nem Virgília e, por conseguinte, perde a vez na aristocracia e na Assembléia. De outra feita, entretanto, poupa-me, cara leitora, a pena de dissertar sobre os fracassos amorosos de nosso herói ou enumerar as perdas e prejuízos com títulos e honrarias de esposo ou magistrado, aos quais sucumbiu o nosso vivaz memorialista. Já nos basta o relato de um autor-defunto, com suas rabugices de solteirão e adúltero, que morre, ou revive, tal qual Marcela com a sua pérola (ou o Xavier), por intermédio de suas reminiscências ou purgações, suas anedotas, chistes, parábolas, cantatas, seus atropelos e piparotes. Não! Antes os desenganos e solidão da bexiguenta e empoeirada espanhola, alquebrada ou esfacelada por de trás de um balcão de comércio, conforme o despedaçado vidro do relógio de Brás, que o impelira até ao estabelecimento comercial.
Diante de tal repugnante quadro e repulsiva figura, recusemo-nos por alguns instantes a esmiuçar os destroços sentimentais de uma solterice burguesa do Sr. Brás Cubas ou os desenganos políticos deste bacharel coimbrão, já tão retorcidos e instrumentalizados pela crítica machadiana. Por um outro ângulo, a transfiguração desta criatura que “não podia ter sido feia”; e, ao contrário, fora a “linda” Marcela, íntima e amiga dos rapazes e do dinheiro daquela época, retratada neste reencontro com Brás. E, se acoplarmos a este quadro a negação à vida, imposta pela pena ou narrativa de Alencar, imputando a Lucíola o seu desfecho hemorrágico por ocasião de um aborto mais social que achacadiço ou enfermo, que impossibilitara a existência de seu Moacir enjeitado, observamos que também Machado não se atrevera por este viés ao resgate da prostituta regenerada, a que se refere Nabuco. Conquanto Marcela se reabilite por intermédio da doença e de seu trabalho em outros comércios, também lhe impusera Machado, não a morte, mas as bexigas. As Memórias…, desta feita, imputam-lhe o horrendo, o asqueroso, o grotesco, amputando-lhe juntamente com as cicatrizes da varíola, não a sua existência, mas a adocicada adjetivação que caracterizara, por todo o fio da narrativa, a criatura prostituída – “linda” Marcela!…
Diante da indagação do narrador-bacharel sobre se de fato a beleza de uma outra Marcela, a de 1822, valeria os seus sacrifícios, ou sua terça parte, sobressai à meretriz a famosa e já mencionada cobiça da espanhola a aplainar as suas dissipações. A “linda” Marcela ainda assim desmente a moléstia, suas chagas e misérias, com os seus olhos cobiçosos, que reafirmam a moça “independente” de outrora. Marcela se sobrepõe à sua contrária situação, ao desamparo de sua loja pouco procurada, por uma outra espécie de clientela ou freguesia, “às saudades, aos desastres, enfim, às bexigas”, agora somente por conta de suas cobiças, defeitos e ambições. A narrativa nega-lhe os atributos físicos, da mesma forma que, naquele instante, negaria à espanhola os amores de antanho, haja vista a reação e ojeriza de Brás ao deparar-se com ela. Entretanto, de outra feita, acirra ao leitor o seu instinto de vaidade, conquanto não dure mais que um instante, além de sua intrínseca paixão pelo lucro, sua ganância, desfaçatez, ambição, usura e avareza.
O bacharel coimbrão Brás Cubas não só renega a grotesca figura de prostituta arruinada da antiga e interesseira amante, como também a conhecida proteção de outros tempos, declinando de sua oferta de comércio de finas jóias, uma vez que o que apenas lhe prendia a Marcela seria a lembrança de outros longínquos momentos de gozos, aflições e negociatas. A antiga meretriz perde a batalha contra a varíola e sucumbe às misérias de sua aparência que, em muitas ocasiões, garantiu-lhe a sobrevivência, as deferências e os obséquios dos rapazes da época. Todavia, de outra feita, o que de fato sustentaria a espanhola seria a sua obstinação pelo comércio, ou lucro, agora já de outras finas jóias, cujo alcance já não mais lhe permitiriam as suas pústulas e chagas doentis.
A partir daí, o memorialista Brás Cubas, ao ser acudido por um moleque – que fora à outra loja comercial substituir o vidro quebrado de seu relógio, foge apressado e a passo largo da presença de Marcela, deixando para trás aquele estorvo bexigoso do passado, cujas moléstias e chateações intrincaram-se entre a tribuna da Câmara dos deputados e a fresca e buliçosa intimidade com Virgília. Notem também, ignaros leitores que, após o episódio das saudades e bexigas, o bacharel Cubas não mais que pó r duas ocasiões irá referir-se à meretriz espanhola, relegando-a a uma espécie de obscuridade forçada, imposta pelos assombros da doença e conseqüente fealdade. A primeira delas ocorre quando da partida de Virgília com Lobo Neves para a província, e um desesperançado e solitário Brás atira-se às gavetas, de modo que “entornava cartas antigas, dos amigos, dos parentes, namoradas, (até as de Marcela), e abria-a toda, lia-as uma a uma, e recompunha o pretérito…” (ASSIS, 1997, p.142).
Enfim, a cortesã espanhola ressurge apenas através da escrita da época do namoro e dos rapazes: a ainda linda Marcela; e, por conseguinte, a amante sem as marcas da bexiga e de sua desdita ou desgraça. Ainda assim, neste ínterim de abandono e reflexão, o nome da moça viria acompanhado de um “até as da Marcela” entre parênteses. O que nos leva a constatar que a desgraça da prostituta amiga de dinheiro e rapazes, por mais que descambasse em sua punição ou castigo, ainda não restituiria (ou satisfaria?) a mesma moral vigente do século XIX, que só aquiescer-se-ia, assim como em Lucíola, com a morte da prostituta. A Marcela não bastariam as marcas da varíola ou a obscuridade das páginas das Memórias…, de vez que só a morte miserável e irrestrita romperia com o seu maculado e cínico império de fingimentos, frivolidade e dissimulações: “Não acabarei, porém, o capítulo, sem dizer que vi morrer no hospital da Ordem, adivinhem quem?… a linda Marcela [...] feia, magra, decrépita …” (ASSIS, 1997, p.175)
Bibliografia
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1997.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1977.
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CÂNDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira. Momentos decisivos. Belo
Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edsp, 1975. 2 v.
HAUSER, Arnold. História social da literatura e da arte. Trad. Álvaro Cabral. São
ROBERTS, Nickie. As prostitutas na história. Trad. Magda Lopes. Rio de Janeiro:
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SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Duas Cidades, 1976.
——. Machado de Assis: um mestre na periferia do capitalismo. São Paulo: Duas
Wander lourenço é professor de Literatura UNESA e pesquisador da UFF.
