depressão - luigi pirandello


Depressione

Atomo umano, enorme è la natura.
L ’esser t ’investe e ti trascina. Invano
contenerlo vorresti: ei non ti cura,
ei va per le sue vie, atomo umano.
Io piú sitir non vo ’ la sorte oscura
de l ’avvenire: come un uragano
nel passato ei rovesciasi e s ’oscura,
tutto vorando l ’esser nostro vano.

Spengonsi a lento ormai nei polsi bassi,
e nel cervel, cui fanno assedio i dubî,
le fantastiche febri del desio.

Atomo umano, guarda in ciel le nubi:
estraneo a tutto sei, estraneo passi.
Scenda pei sogni miei, scenda l ’oblio.


Depressão

Átomo humano, enorme é a natureza.
O ser atropela-te e arrasta-te. Em vão
Gostarias de contê-lo: ele não te tem cuidado,
Vai por seus caminhos, átomo humano.
Eu não mais sentirei o destino obscuro
Do futuro: como uma tempestade
No passado inverte-se e obscurece-se
E tudo devora nosso vão ser.

Apagam-se lentamente agora nos baixos pulsos
E no cérebro, onde as dúvidas assediam,
As fantásticas febres do desejo.

Átomo humano, olha as nuvens no céu
És estranho a tudo, estranho passas.
Que desça pelos sonhos meus, desça o esquecimento.



Ana Ferreira Adão é graduanda em Português-Italiano pela UFRJ. Trabalha com traduções desde 2003 e estuda a poesia de Alexandre O’Neill.

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