marienbad

                                                      ricardo pinto de souza

número 0
Até onde nos leva uma palavra? Ouro, glória, amor, deus, as grandes, seus paliativos, desvios e opostos, e também sua especialização lenta e desgastada em fantasias musicais: um apartamento, ou celebridade, ou modelo ou milagre. Finalmente, seus restos fantasmáticos na vivência, o espaço pode ser preenchido por cada um. E até [...]

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                                                            luis maffei

Uma aderência, uma pertença, uma aliança
Recensão a Para apascentar o tamanho do mundo, de Sebastião Edson Macedo. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2007.

Não sei se corro assim tanto perigo. Quem está à página 60 de para apascentar o tamanho do mundo não sou eu, é um nome. E de nomes, sabemos todos, faz-se a [...]

vida carioca, crônicas fotográficas – ivan de almeida

A vida no Rio de Janeiro tem certa maneira, certo jeito característico. Sou carioca, carioca convicto nascido ainda na Capital Federal, e mais que as paisagens sinto a cidade na forma peculiar do convívio nas ruas. Vida Carioca tenta traduzir um pouco disso. Ao produzi-la algumas opções tornaram-se imperativas. Uma foi abandonar equipamentos [...]

o jardim de beterrabas – victor paes

Tão velho o maestro, que no espaço das mãos cabia apenas uma alucinação em miniatura de sua orquestra, ainda assim, às vezes escapando-lhe de laterais algum solista mais comovido. Há dois anos ainda, regia de milho os pombos da praça (questão de alimentar também de terra, muito de ar a música). Mas hoje, poucos gestos [...]

só voa alto o que tem peso – mayara ribeiro guimarães

“O homem é um ser político por natureza” (Aristóteles, O político)

A escrita de Clarice Lispector, desde Perto do coração selvagem, publicado em 1943, até A hora da estrela, última obra lançada em 1977, e mesmo nos textos publicados post mortem, problematiza o que se não for a principal preocupação da literatura e da filosofia é, [...]

reverência e irreverência na tradução – marcelo jacques de moraes

Ao contrário de muitos colegas, sempre me referi à minha “tarefa de tradutor” como a uma modalidade de escrita que tende a ser especialmente prazerosa. Costumo dizer que ela me permite experimentar menos ambiguamente o prazer implicado pelos desafios, impasses e dificuldades inerentes à atividade da escrita na medida em que nela fica um pouco [...]

poemas – mario meléndez

Abrígate, Gladys
a Gladys Marín
Abrígate, Gladys
que la muerte tiene los pies helados
y una lágrima en la sien
No bastarán tus rojos huesos para este viaje
ni la saliva de tu corazón
Date trato
que hay lombrices añorando tus entrañas
tus axilas luminosas
tus rodillas que adivinan el país de los enanos
Ve despacio
no te olvides de marchar entre las tumbas
no te canses
y ojo [...]

o homem de neve – wallace stevens

The Snow Man
One must have a mind of winter
To regard the frost and the boughs
Of the pine-trees crusted with snow;
And have been cold a long time
To behold the junipers shagged with ice,
The spruces rough in the distant glitter
Of the January sun; and not to think
Of any misery in the sound of the wind,
In the sound [...]

dois elos do cânone perdido (à margem de eça de queirós) – otávio rios

A época compreendida entre o final do século dezenove e as duas primeiras décadas do vinte é costumeiramente conhecida como um período marcado pela ausência de autores que figuram no cânone literário português. Essa lacuna pode ser explicada, em parte, pela grandiosidade atingida pela obra de Eça de Queirós, o que, de certa forma, [...]

um poeta sem versos, na poesia e em muitas margens: entrevista com pedro eiras

Pedro Eiras nasceu no Porto em 1975. É investigador e docente de literatura portuguesa na Faculdade de Letras do Porto. Desde 2001, publicou em livro os ensaios Esquecer Fausto. A fragmentação do sujeito em Raul Brandão, Fernando Pessoa, Herberto Helder e Maria Gabriela Llansol, 2005 (Prémio PEN Clube Português de Ensaio), e A Moral do [...]