Paisagem para Anna Akhmátova
O corpo, ainda corpo,
sabe de cor
a dor. Dizer adeus,
carpir, esconder,
bater palavras contra o muro.
Ruas de São Petersburgo
sob a neblina – o corpo
sabe de cor
onde se morre.
Mas, por entre o estridor
de soldados e funcionários,
cava uma saída:
o próximo poema
(promessa de delicadeza e silêncio)
- ouve cantar uma cereja.
(Passando em frente)
Passando em frente
ao antigo, imponente
prédio:
o leão, [...]
Mantenho-me em posição limítrofe, sensação de completa entrega e inércia, bebendo de um copo o líquido demasiado forte, tentando esquecer os últimos dias, mas sabendo ser impossível.
O certo é que tudo passou muito rápido. Deixei que esse momento se esfacelasse, destruindo aquilo em que acreditava ainda ser meu esteio, não passando agora de um rastro [...]
ricardo pinto de souza
número 1
Democracia e melancolia. Há uma gravura de Goya chamada “Modo de Voar”. É possível que vocês já a tenham visto: homens atados a um tecido, espécie de asa, e a cordas, soltos no espaço, voando com seu aparato, batendo asas. Há tensão e esforço na única face visível, misturada a um [...]
Objetos do cotidiano são constantemente desprezados quando estamos em busca de algo para fotografar. Na verdade, acredito que nossa busca está sempre inconscientemente apontada para coisas intangíveis, o que freqüentemente resulta em frustrações e decepções para com nossa veia artística e nossa necessidade de expressão.
Utilizo a fotografia como uma forma de tornar visíveis meus pensamentos [...]
Omne ignotum pro magnifico est. — Tácito
Ernst Theodor Wilhelm Hoffmann, nascido em 24 de janeiro de 1776, em Königsberg, passa à História da Literatura como autêntico representante do Romantismo. Talvez, muito mais pelo seu espírito verdadeiramente romântico – no sentido estrito – que por suas obras, afastadas do “cânone” da Literatura Universal, e vistas, nos [...]
Nascido no Rio, vencedor do finado prêmio Nestlé em 1994 por sua coletânea de contos Que fim levou Brodie?, autor de dois romances publicados pela Companhia das Letras – Bras, Quincas e Cia. (2002) e Memorial de Buenos Aires (2005) -, Antonio Fernando Borges destaca-se por conseguir, em seus livros, misturar a reflexão sobre a [...]
A linguagem
Numa palestra em 1954, Heidegger disse: “A linguagem fala, não o homem. O homem só fala quando corresponde à linguagem”. Na medida em que a obra, toda obra poética, é feita de e como linguagem, a obra opera falando. Cabe ao autor escutar, cabe ao leitor escutar. A escuta da fala da linguagem é [...]
Poetics: Mind Is Shapely, Art Is Shapely
I really don’t know what I’m doing when I sit down to write. I figure it out as I go along (and revise as little as possible). I see the writing is interesting if there are a lot of awkward poetic ideas made up by accident in the course [...]
luis maffei
COME PÃO, POETISA
Recensão a Le vitrail la nuit * A árvore cortada, de Adília Lopes. Lisboa: & etc, 2006
O poema de abertura do livro dá-me pistas, e é dele que parto, pois, sendo ele o primeiro, é dele que gosto de partir; “A casa”, pois: “Os defeitos dos vidros/ das minhas janelas/ são tão [...]
dois colegas de graduação se abraçam por uma causa, e a cada dia, colocam suas idéias e pensamentos do mundo real para o virtual, ou/e vice-versa.
chamam amigos, afins; pensam, escolhem, e percebem que, a cada dois meses, terão de recolher estilhas. continuam a labuta.
na terceira edição desvendam os olhos para enxergar a fotografia; e ainda [...]