editorial


esse editorial poderia intitular-se agradecimento. afinal, a pequena morte recebeu recentemente um poema em sua homenagem. depois disso, por justiça e por justeza, nós, os editores, traçarmos um “plano” de agradecimento a esse belo gesto, vindo de além-mar, feito por nuno rocha.
não só esse amigo lusitano, mas todos os leitores da revista devem receber nosso ato de gratidão. nosso gesto grato acontece graças ao colaboradores que, “em trânsito”, como lícius bossolan intitulou seu ensaio, caminham pela literatura e seus “retratos”, “imagens” e “fragmentos”. essa via pode ser tanto “por um prefácio de wilde”, como faz antônio jardim, como pela “poética da terra”, como opta marcos coimbra da silva, ou ainda, “para dominar o silêncio”, como a mineira laura lobato traduz a portenha alejandra pizarnik. nossos colaboradores de sempre, os colunistas luis maffei e ricardo pinto de souza, presenteiam, com textos fruidos – no sentido barthesiano – a todos nós – sim, não só aos leitores mas aos editores também. nesta edição de agradecimento, pode-se ainda gozar de lances do “entretenimento popular”, segundo mauricio murad em entrevista a ferando miranda e a raquel menezes. ainda nesta edição, a editora-entrevistadora traz um texto sobre a poeta lusitana adília lopes, a “poetisa pop” e suas “máscaras”. esta poeta acompanha seus conterrâneos, manuel de freitas – com um poema inédito – e rui pires cabrasl, além, é claro, de nuno rocha – que com o poema “Don” recompensa-nos pelo trabalho:

Don. (A pequena morte)

Algo liga algo
no plano que
liga algo em
atenção e a
vertigem vêm
a algo num
turbilhão
soma da acção
que resulta
da relação.

Hábito dizer
este dado
que (n)dá-se
- súbito
do que é
cortado
da tensão e
se chama o
acontecer
da pequena morte ;
que é :

(a)tensão
que falta a
figurada falta
que fere (a)tenção.

Dá o plano.

                                                                     os editores.

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