uma senhora contemporânea do futuro: entrevista com cleonice berardinelli


Cleonice Berardinelli é a maior lusitanista brasileira. Conhecida carinhosamente como Dona Cleo por seus alunos e discípulos, Cleonice está há mais de sessenta anos exercendo o magistério. Graduada pela Universidade de São Paulo em 1938 e professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Pontifícia Universidade Católica do mesmo estado, é autora, dentre outros, do importantíssimo Estudos Camonianos, e responsável por diversas antologias de Fernando Pessoa e seus heterônimos. Sua dedicação aos estudos literários portugueses abriu novos caminhos à leitura das produções lusitanas e lhe garantiu homenagens e reconhecimento de instituições como a Academia das Ciências de Lisboa e o Instituto Camões.



cleonice berardinelli.

Entrevista concedida a Jorge Fernandes da Silveira. [1]

Sessenta e três anos de magistério dedicados à literatura portuguesa, muitos outros em contato direto com a cultura e a língua mãe, tudo isso somado, Dona Cléo, complete, por favor: Portugal é…

…muitas coisas para mim; 1º) o meu passado genético, já que sou brasileira só até aos avós; começo a ser portuguesa nos bisavós e, se não me enganam as poucas informações genealógicas que tenho, todos os meus sobrenomes – Fernandes Lima, Freitas Coutinho, bisavós maternos, por minha avó; Moraes Coutinho, bisavós paternos, por meu avô; Serôa da Motta, por meus bisavós paternos – me garantem uma ascendência portuguesa; 2º) uma cultura e, sobretudo, uma literatura que estudo sem cessar – pela qual me apaixonei desde os tempos da minha graduação na USP, ao ouvir o meu Mestre maior, Fidelino de Figueiredo – e que transmito (eu ia dizer: tento transmitir, mas seria falsa modéstia, pois estou convencida de que, a uma grande maioria das centenas de estudantes aos quais tenho ministrado cursos de Literatura Portuguesa, venho realmente transmitindo), sempre do meu modo apaixonado, uma boa fração do meu conhecimento e outra boa fração da minha paixão pelo que faço; 3º) um grupo crescente de colegas-amigos que comigo partilham o mesmo ofício – na matéria que leciono ou em matérias afins – e que me retribuem largamente o afeto que lhes dispenso, afeto sempre envolto em reconhecimento da excelência de seu trabalho.

Do “monstro horrendo”, naquele que considera o seu melhor ensaio sobre Os Lusíadas (é verdade?), “Uma leitura do Adamastor”, diz: “É a história do seu amor infeliz que contará a Vasco da Gama em resposta ao ‘Quem és tu’ (V, 49, v.3), apresentando-se outro, tão outro que a sua resposta surpreende a quantos o ouvem.” E a sua história de amor com Camões? Concertada, não, minha Senhora?

Jorge: para começar, uma queixa. Você não me está fazendo uma pergunta, mas mais de uma pergunta de cada vez. Enfim, pensando na extensão temporal de nosso convívio e, mais que isso, na quantidade de afeto de que é revestido, tentarei responder-lhe: 1º) É verdade que, até agora, nenhum dos ensaios que tenho escrito me deu a satisfação que este me proporcionou. Por quê? Porque em nenhum deles consegui obter a sensação de ter aberto um caminho, ou melhor, de tê-lo descoberto. A minha “Leitura do Adamastor” é minha; ninguém, que eu saiba, a fez antes de mim. Gosto do meu Adamastor, com suas duas faces, a de antes e a de depois de Vasco da Gama – a que inspirava medos e a que causa compaixão –, ambas refletindo o “povo que o decifra e que nel[e] se projeta para nel[e] se reconhecer”. Gosto ainda da utilização que fiz do texto de Durozoi e Lecherbonnier, quando digo que “o momento da criação do mito é en bref, projection inconsciente de l’explication des choses, par une société donnée. [...] créer un mythe nouveau, c’est projecter par réfraction l’image d’une société apte à se conformer au mythe nouveau“. [2] 2º) Quanto à minha história (ou estória?) de amor com Camões, respondo-lhe que anda como sempre andou: “nada concertada.” Como poderá andar um amor unilateral, insatisfeito, sem correspondência? Mas, quem sabe? Talvez bem, se o ser amante se acomodar à incompletude do seu amor e se satisfizer com a correspondência apenas poética, que lhe chega na leitura dos versos numerosos – e tomo a palavra em sua bissemia –, dos mais belos da língua portuguesa. Conformada ao papel de amante não amada, concluirei que Camões e eu andamos sempre concertados.

“Pessoa é o poeta vivo que me interessa mais.” Como Dona Cléo – pioneira dos estudos sobre Fernando Pessoa, responsável pela edição crítica da poesia de Álvaro de Campos, leitora atenta da literatura portuguesa contemporânea que mantém o “Poeta de Orpheu” vivo como persona literária, numa palavra, uma profissional em estado permanente de atenção – interpreta o verso de Ruy Belo? Ou melhor, simulando uma possível tensão entre o trabalho da investigadora do espólio pessoano e o da professora de literatura: o que lhe parece mais interessante para que o poeta moderno seja cada vez mais “o poeta vivo que me interessa mais”, segundo a sua criação heteronímica? A fixação de um cânone que dê a Pessoa o que é de Pessoa e ao(s) Outro(s) o que é do(s) Outro(s), ou a ficção de um Fernando Pessoa, irremediavelmente disperso, na figura de muitos outros Pessoa, Reis, Campos, segundo, por exemplo, Maria Gabriela Llansol, José Saramago, José Cardoso Pires?

À primeira formulação da sua pergunta respondi-lhe, dizendo que eu precisaria saber de que poema o Jorge tirou o verso de Rui Belo, poeta que muito admiro, mas não conheço como ao Pessoa, por exemplo, no qual não me é difícil localizar um verso, uma frase. Agora, satisfeita a minha necessária curiosidade, quando sei que o verso faz parte do poema “Da poesia que posso”, o primeiro inserido no conjunto “Verão”, que se inicia por “Há uma certa maré nas coisas humanas”, posso tentar responder-lhe. É um poema breve, apenas vinte e sete versos, invadido por versos de outros poetas, alguns dos quais não consigo localizar, embora os reconheça, inteiros ou em parte. O primeiro que acode a Rui Belo é, exatamente, do Pessoa ortônimo, datado de 1929, “Aqui, na orla da praia, mudo e contente do mar”, com que abre um harmonioso poema, formado por cinco estrofes de longos versos de arte-maior, como este inicial, de quinze sílabas, com rimas emparelhadas e mais outras, internas, na cesura medial, o que lhes dá intensa musicalidade. Mais adiante, o verso 20 é, com mínima alteração, de Bocage: “de um dia em que me achei mais pachorrento.” Os versos 22 e 23 são, com mínima alteração, de um brevíssimo poema de Caeiro: “Pouco me importa. / Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.” Em Rui Belo, o verso termina em “Não sei” e se continua em dois outros, postos entre parênteses: “(o resto vem no pessoa / Pessoa é o poeta vivo que me interessa mais).” Mais dois versos, e se fecha o poema, sem pontuação final: “Basta a cada dia a sua própria alegria / e é grande a alegria quando iguala o dia”

De que alegria fala o poeta? Da alegria de ressuscitar Pessoa, morto havia trinta e cinco anos? O Poeta, na verdade, não morreu. Cá ficamos nós para mantê-lo vivo, não só na sua obra, mas na história (ou estória?) que fingiu, na dupla accepção da palavra. Insiro-me no grupo dos que o mantêm vivo, como diz você, graças ao convívio de que gozei com os seus papéis, reunidos no Espólio III da Biblioteca Nacional, em Lisboa, tentando equilibrar as duas que coexistiam em mim: a professora de literatura e a investigadora – ou, como dizemos nós por aqui, a pesquisadora e conseqüente editora da obra de Álvaro de Campos. Suas duas perguntas finais são, como as outras, difíceis de responder. Como interpreto o verso de Rui Belo? Sem muita segurança: como algo que irrompe do desejo de verão, de travessias, de um verso em espanhol vindo com a memória do Cid, ou trazido por este, e arrastando consigo, com sua musicalidade, os belos versos de Pessoa: “Aqui, na orla da praia, mudo e contente do mar, / Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar, / Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida, / E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.” À sua segunda pergunta: “O que lhe parece mais interessante para que o poeta moderno seja cada vez mais o poeta vivo” que me interessa mais, onde me dá duas opções de escolha, eu respondo que prefiro a mais rigorosa fixação possível dos versos pessoanos, mas que não rejeito a possibilidade de vê-lo tomado por outros ficcionistas, em prosa ou verso, como personagens de suas ficções, desde que a apropriação seja feita com respeito e propriedade. É o caso do protagonista do excepcional romance de José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis, e do Álvaro de Campos do texto de José Cardoso Pires. Não o surpreenderá o não incluir os textos de Maria Gabriela Llansol, pois conhece a minha difícil relação com os livros desta autora e quanto me desagrada aceitar os outros nomes que ela dá a Camões, Pessoa e Jorge de Sena.

Passados mais de trinta anos, se lhe fosse pedida uma nova proposta para o curso “As Linhas Mestras da Literatura Portuguesa”, criado para atender às necessidades pedagógicas decorrentes da reforma curricular na UFRJ, como a desenvolveria?

Você se lembra bem, Jorge, que minha invenção de um título para um curso inicial de Literatura Portuguesa – “Linhas Mestras da Literatura Portuguesa”, cuja forma mais plena seria “Pontos convergentes de Linhas Mestras da Literatura Portuguesa” – se deveu à necessidade de criar um subterfúgio para escapar à decisão um tanto ditatorial do Diretor da Faculdade de Letras, que, impondo um novo currículo, só nos permitia dar cursos de Graduação (veja-se bem, de Graduação!, ao tempo em que não havia ainda Pós-Graduação) monográficos. Recebia-se o aluno despreparado, que tinha apenas vagas noções de Literatura Brasileira, e davam-se-lhe doses mais ou menos maciças de um ou outro movimento literário, que não teriam de ser consecutivos ou conseqüentes e cuja sucessão dependia das predileções de cada professor. A fraca participação nas aulas e o baixo aproveitamento da maioria dos alunos foi-me transformando em certeza o que era ainda suspeita: o processo poderia ser muito produtivo nos cursos de Pós-Graduação, mas era improdutivo para os Graduandos. Consultei a minha classe, pedindo-lhes uma resposta totalmente sincera. Concordavam totalmente comigo. Parecia-lhes que estavam a saltar de ilha a ilha de um arquipélago, sem saber ao menos onde este se localizava. Prometi-lhes que iria pensar para ver se me ocorria alguma idéia “salvadora”.

O Diretor não admitia que se propusesse um curso diacrônico. Pus-me a pensar, pois, nos aspectos mais marcantes da Literatura Portuguesa. Cheguei à conclusão de que estes eram: o Subjetivismo; o Nacionalismo – que considerei como uma forma mais larga do Subjetivismo e que tomei em suas duas vertentes, o Nacionalismo Laudatório e o Crítico –; e, ainda na mesma linha de derivação, o Saudosismo e o Messianismo, expressões de um Nacionalismo exacerbado. Busquei, entre os autores – poetas e prosadores, historiadores e ficcionistas, dramaturgos, tomados cronologicamente entre os mais representativos da Literatura em questão –, aqueles para os quais pareciam convergir, mais numerosas, essas linhas. Eis a lista dos escolhidos: Fernão Lopes, historiador; Gil Vicente, dramaturgo; Camões, poeta lírico e épico; Eça de Queirós, ficcionista; Fernando Pessoa, poeta e prosador ficcionista; Bernardo Santareno, dramaturgo. Fiz mesmo um gráfico em que cheguei à conclusão de que os dois pontos convergentes de maior número dessas linhas mestras eram Camões, no século XVI, e Fernando Pessoa, no século XX. Ora, estes dois autores, poetas exponenciais da nossa língua, poderão sintetizar, em qualidade e quantidade o que de melhor nela se produziu em toda a sua extensão – mais de oito séculos de cultura.

gráfico.

Ao constatar essa possível “solução”, sem pretender considerá-la única ou definitiva, contentei-me em pensá-la (não cheguei a dizê-la) resumida na tão conhecida frase italiana: se non è vero, è bene trovato…

Você me pergunta ainda se faria “uma nova proposta para atender às necessidades pedagógicas decorrentes da reforma curricular na UFRJ” e qual seria ela. Minha resposta é apenas: hoje, quando já se passaram vários anos, eu talvez acrescentasse, nos tempos atuais, dois grandes nomes: o de um grande ficcionista do século XX, José Saramago, poeta e dramaturgo apreciável, o de uma grande figura contemporânea, polifacetadamente versátil – poeta, ficcionista, dramaturgo e ensaísta – Jorge de Sena. Confesso, porém, que neles não vejo a possibilidade de encontrar tão nitidamente as linhas mestras que me seduziram em 1974. Sinto-me como se me tivessem quebrado o instrumento que criei e aperfeiçoei com tanto cuidado. É pena, mas já não tenho tempo para inventar outro.

Professora Emérita, lecionando, portanto, nos cursos de Pós-Graduação, e que mantém contato constante com alunos da Graduação, que a adoram, como vê os presentes e futuros leitores de literatura portuguesa no Brasil?

É verdade que há quase quarenta anos, quando se instalaram os cursos de Pós-Graduação em nossas universidades, só dou cursos na Pós-Graduação, mas, de vez em quando, a convite de uma ou outra jovem professora, minha ex-aluna, às vezes ainda minha orientanda, tenho dado na PUC uma ou outra aula na Grá. E fico feliz. Gosto de ver o seu interesse na expressão dos olhos, na atenção que dão ao que eu digo. Se não me adoram, como diz você, estão satisfeitos por me conhecer de perto, por verificar com seus olhos e ouvidos que não era mentira ou exagero o que suas mestras lhes diziam para justificar o levar-me à sua sala de aula. Porque estou convencida de que não sou mal-amada pela maioria das centenas de estudantes (gostaria de poder contá-los) que desfilaram por minhas classes ao longo de 63 anos de UFRJ, 44 de PUC-Rio, 2 anos de UFF, 1 na Universidade Católica de Petrópolis, 1 na Faculdade Santa Úrsula, 2 semestres na Faculdade de Lisboa e um na Universidade da California, campus de Santa Barbara, num total (para ser bem rigorosa) de quase 112 anos. Quando os reencontro, passado às vezes um longo tempo, reconhecem-me e dizem-me palavras sempre muito boas, repassadas de carinho que me aquece o coração.

Com essa experiência, que acha que eu pensaria do futuro da Literatura Portuguesa no Brasil? Não lhe direi que sou plenamente otimista, mas que tenho uma fração bastante alta de esperança.

Noventa e um anos de uma vida extraordinária fazem pensar na existência de um livro pessoal, um diário, por exemplo?

A vida extraordinária fica por sua conta. Eu diria “uma vida longa, plena de trabalho realizado com paixão”. Quanto ao “livro pessoal”: sem a intenção de fazer um diário, comecei a fazê-lo em Paris, quando, a convite do diretor do Centre Culturel da Fundação Calouste Gulbenkian, fiz, dentro do programa de atividades do Salon du Livre de 1998, em homenagem ao Brasil, uma conferência de uma hora, cujo título me foi imposto (disse-o aos meus ouvintes, para que não me julgassem pretensiosa): La leçon d’une carrière. Ora, Jorge, minha carreira é a minha vida, ou, melhor, minha vida é predominantemente, a minha carreira. Fui, portanto, à minha origem universitária de aluna da USP em 1938, tendo um professor de Literatura Portuguesa muito especial, de quem gosto de dizer e repetir, parodiando o Gênesis: “No princípio era Fidelino de Figueiredo.” Por ele, pela sua mão, eu teria definido o meu caminho, se o Fado, que prefiro chamar Deus, não me levasse por desvios laterais até que eu entrasse na “diritta via“, como dizia Dante. Levada, pois a esta, nunca me extraviei, nunca duvidei de que era ela que eu queria e quero, na insistência – que faz pasmar alguns que me conhecem mal – de, aposentada em duas Universidades, continuar a dar aulas e a orientar alunos.

A partida inicial para um dia escrever um diário estava dada. De lá para cá, convites para falar do meu magistério chegam com assiduidade: do Centro de Estudos Portugueses da USP, para, no I Encontro Paulista de Professores de Literatura Portuguesa, falar sobre “O Magistério de Literatura Portuguesa”, em maio de 2005; no mesmo ano, da ABRAPLIP, “Cem anos de Magistério: o sentido da Cultura Portuguesa”; do Prof. Doutor José Augusto Bernardes, organizador de um número de Leituras – Revista da Biblioteca Nacional, de Lisboa, sobre Camões. Mais uma vez, o assunto me era imposto: “Autobiografia Camonística”, que intitulei “Pera tão longo amor, tão curta a vida”, em 2002. Além disso, a todo momento me entrevistam para revistas – Floema, Ciência Hoje –, para a TV – “Globo Repórter”, “Espaço Aberto”, para a TV Globo e “Jornal da Cultura”, para a Rede Brasil; e as perguntas, como a sua, às quais é preciso responder com bocados de vida.

Se um dia me aposentar de fato, talvez comece a escrever a história da minha vida, uma vida que devo agradecer a Deus, pois Ele tem sido muito generoso comigo.

Satisfeito, Jorge? Desejo muito que sim.


[1] Jorge Fernandes da Silveira, Professor Titular (Catedrático) da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ (Departamento de Letras Vernáculas), onde se doutorou, em Literatura Portuguesa, em 1982. Investigador 1A do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Domínios de investigação: Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, Poéticas dos Séculos XVI, XIX e XX, Literatura Comparada. Principais publicações: Portugal Maio de Poesia 61 (1986), Cesário Verde, Todos os Poemas (1995), Verso com verso [Estudos de Poesia Portuguesa] (2003), O Beijo Partido - Uma Leitura de O Beijo Dado Mais Tarde: Introdução à Obra de Llansol (2004), Lápide & Versão: O Texto Epigráfico de Fiama Hasse Pais Brandão (2006), Escrever A Casa Portuguesa (Organizador, 1999). Colaboração em publicações coletivas e revistas como Colóquio/Letras, Relâmpago, Metamorfoses, Veredas, Scripta, Semear, entre outras.

[2] “Em resumo, projeção inconsciente da explicação das coisas, por uma dada sociedade. [...] Criar um mito novo é projetar por refração a imagem de uma sociedade apta a conformar-se ao novo mito.” In: DUROZOI, Gérard et LECHERBONNIER, Bernard. Le Surréalisme. Théories, Thèmes, Téchniques. Paris: Librairie Larousse, 1972.

Jump to the top of this page