poemas - sebastião edson macedo
FIRMEZA [1]
na avalanche do galope
há uma linha serena e forte
aonde ela vai dar não importa
o cavalo interior vem de músculo e fogo
no ritmo do pulmão se arma um salto
e é com fôlego que se aguarda a rocha
COM MAFFEI NO JEWERLY DISTRICT LOS ANGELES CA [2]
i.
desnecessária é
a ti
a sugestão dos guarda-chuvas
porque desces a estes esquadros
numa épica própria
e justo no trajo
que te perdia de pronto
fuck off
a solução dos cotovelos
porque raios
saltamos a nu
hum mil bestiário e logo autobuses
que não macadame
encontrão
ii
a quem é dada
a célere degustação
dos assoberbamentos?
a ti
a água brusca deixa em paz
para o abismo muito anexo
da minha cara rupestre
assaz
iii
ouvimos demolição e porra ópera
ninguém se apropria de nada ninguém
mesmo que nos veja nos vê
AS FÉRIAS
há leis dedicadas à claridade
durante a abertura da chuva em janeiro
já já é feriado e pelo menos temos a saúde caprichada
nas goivas
também o armário precisa desmatar meu amor
se transformou em filhos meus filhos mudaram
a mãe por dentro de mim
é minha noiva vestida de cedro e leite são
nossos pés mergulhados no ouro do alguidar
cada calendário leva à extremidade do sol sobre a mesa
a rega dos pássaros leva o rosto pelo estio e tem
um desenho
se bem que o que a gente aprende
cresce como erva em meio aos livros
são nossas léguas são nossa mão
A CIGARRA
o claro do dia apraz à minha escuridão
mas a seiva da minha voz noturna
faz de mim um povoamento
uma luz
UMA ABÓBADA IMPORTANTE
para quem tinha enormes montanhas postas em movimento
e zelava os contrafortes do amor
é estranho que abrevie na boca a imensidão do tempo
esse tempo roxo sem tamanho algum
porque já habitam árvores de páginas muito incertas
as difusas velocidades da dor
e é provável que vocês nunca mais façam os olhos
desses olhos queridos ao longo do céu
para quem tinha acabado de perceber o atrevimento da morte
hora de atrelar um carro ao boi
NOTAS
[1] De para apascentar o tamanho do mundo, 2006.
[2] De para apascentar o tamanho do mundo, 2006.
Sebastião Edson Macedo nasceu em 1974, no Piauí. Mora atualmente no Rio de Janeiro.
